quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Síria garante à Rússia que entregará dados sobre arsenal químico a tempo

Moscou, 18 set (EFE).- A Síria garantiu nesta quarta-feira que entregará "a tempo" as informações sobre seu arsenal químico, afirmou Sergei Ryabkov, vice-ministro das Relações Exteriores russo, depois de se reunir em Damasco com o presidente sírio, Bashar al-Assad.

"A Rússia recebeu da parte síria garantias de que Damasco entregará a informação necessária relativa a suas armas nucleares no prazo previsto", declarou Ryabkov em entrevista coletiva na capital síria, citado pelas agências russas.

Ryabkov lembrou que a informação sobre o arsenal químico do país árabe deve ser entregue em Haia dentro do prazo de uma semana, desde o acordo entre Rússia e EUA firmado em 14 de setembro.

O vice-ministro destacou que Assad apresentou novas propostas para a realização do plano de entrega das armas químicas da Síria à comunidade internacional.

"Escutamos importantes comentários e propostas da boca do senhor presidente. Informarei tudo isso a Moscou com toda classe de detalhes", disse.

O diplomata lembrou que, segundo o acordo alcançado entre russos e americanos na sexta-feira em Genebra, a Síria deve entregar todo seu arsenal químico antes do final da primeira metade de 2014.

Ryabkov assinalou que dito acordo também insiste em que o Conselho de Segurança da ONU deve se limitar a adotar uma resolução que respalde a decisão da Organização para a Proibição das Armas Químicas, em referência ao projeto francês que incluiria ameaças de sanções para Damasco em caso de descumprimento.

Por outra lado, o vice-ministro ressaltou que a Síria entregou à Rússia novas provas sobre o uso de armas químicas por parte dos rebeldes em Guta Oriental, um subúrbio de Damasco.

"Recebemos provas adicionais analisadas pelas autoridades sírias. Eles as consideram provas do emprego de armas químicas pela chamada oposição síria em Guta Oriental em 22, 23 e 24 de agosto", especificou.

Ryabkov lembrou que essas provas já foram entregues aos inspetores das Nações Unidas que estiveram recentemente no país árabe.

"Estamos decepcionados porque no relatório (da ONU) que foi apresentado nesta semana em Nova York, não se foi dada a devida atenção", manifestou.

O diplomata afirmou que as novas provas incluem "resultados de análise e dos estudos de mostras biológicas da região na qual ocorreram os quatro incidentes".

Trata-se, acrescentou Ryabkov, de "provas muito fáticas que contêm termos técnicos, sem nenhuma tergiversação política. Simplesmente, esquemas, números e conclusões sobre fórmulas químicas. Isso é tudo".

"Agora ainda é cedo para tirar conclusões sobre o que há nesses materiais. Aqui não deve ter nenhuma precipitação", acrescentou.

Em qualquer caso, o vice-ministro se mostrou convencido que tais provas "podem mudar a marcha das negociações" sobre o conflito sírio.

Com relação ao relatório da ONU, que os Estados Unidos, França e o Reino Unido consideram que acusa claramente o uso de armas químicas ao regime sírio, Riabkov opinou que "essas conclusões são limitadas e, em alguma medida, insuficientes", além de "preliminares".

Tanto Damasco como Moscou mantêm que o ataque perpetrado em 21 de agosto em Guta, onde morreram mais de mil pessoas, não foi perpetrado pelo regime de Assad, mas foi uma "provocação".

Ryabkov também se reuniu hoje na embaixada russa em Damasco com representantes da oposição moderada, que consideraram que o conflito sírio não tem outra alternativa de solução do que a convocação da conferência internacional de paz Genebra-2.